Jurassic Park (1993) foi um fenômeno cinematográfico tão marcante que deu a idéia que era fácil colocar dinossauros na tela de cinema. Parece mesmo uma combinação perfeita, já que a gente precisa de uma tela gigantesca para comportar a dimensão da ameaça que um Tiranossauro Rex representa.
O problema é que ninguém nunca conseguiu repetir o sucesso do clássico de Spielberg. As duas continuações diretas (1997 e 2001) foram consideravelmente mais fracas, mas o tempo as redimiu: Jurassic World mostrou que é difícil mesmo colocar dinossauros nas telas, e fez isso entregando três filmes absolutamente péssimos.
“O Fim da Rua” é uma nova (e bem-vinda) tentativa de trazer dinossauros para o cinema. O objetivo da produção é bem claro: criar um novo clássico.
Estética clássica
Esse objetivo já começa da estética anos 80 que o filme tem, e que é absolutamente deliciosa. A história sabe o público com quem ela quer conversar: justamente esse adulto que cresceu assistindo essas aventuras no cinema, que ficou encantado com Jurassic Park, que tem uma memória afetiva com Goonies. A decisão é acertada e funciona demais.
O filme deixa claro o público alvo e não esconde a violência. A tensão é bem feita: Uma primeira metade que esconde suas ameaças, que, tal qual Tubarão (outro clássico), prefere esconder seus monstros do que mostrá-los.
Mas quando eles aparecem, não somem mais: são uma ameaça constante aos protagonistas, sempre presentes no cenário, se alimentando de outras presas menos sagazes. Funciona bem, e há sempre algo a se olhar na tela.

O ano da Anne Hathaway
Parece oficialmente proibido lançar filme sem a Anne Hathaway em 2026. Ela domina novamente a tela em “O Fim da Rua”, e dinossauros se mostram uma ameaça tão assustadora quanto Miranda Priestly.
O suficiente para obscurecer Ewan McGregor, coitado, assim como os atores mirins, que fazem o papel de crianças merdeiras — justamente o que se espera deles.
Falando em dinossauros, não é só eles que estão de volta. J.J. Abrams (lembra dele?) coloca seu nome com orgulho na produção. Que bom pra ele, já que estava preferindo se manter escondido desde seu retumbante fracasso com “The Rise of Skywalker“, lá de antes da pandemia, o primeiro sinal que o mundo não estava caminhando para um futuro promissor em 2019.
Já a direção é de David Robert Mitchell, acertadinha, não escondendo suas raízes no terror.
“O Fim da Rua” me entregou muito o que eu queria, mas não sabia que queria. Cinemão.