Wyatt Russell
☼ Born on10 janeiro 1986, in Los Angeles, California, USA
Biography: Wyatt Hawn Russell is an American actor and former professional ice hockey player as a goaltender. Russell portrayed Corporal Lewis Ford in Julius Avery's 2018 horror film Overlord, Dud in AMC's Lodge 49 and John Walker in the Marvel Cinematic Universe Disney+ series The Falcon and the Winter Soldier (2021). Russell was born on July 10, 1986, in Los Angeles, California, to actors Kurt Russell and Goldie Hawn. He is a grandson of the late character actor Bing Russell, and a half-brother of actors Oliver Hudson and Kate Hudson. He is of German, English, Scottish, Irish; and Hungarian-Jewish descent (from his maternal grandmother).


In the role of actor

Dia D (10/06/2026)

Pô, Spielberg… Sou seu fã incondicional desde Duel, curti até o 1941, que ninguém gostou. Por que você fez isso comigo? Fui ver o Dia D com o espírito de quem vai encontrar uma ex-namorada que ainda ama, cheio de esperanças de ter um revival, curtir de novo os bons momentos que passamos juntos. Não logrei êxito. Voltei pra casa com o coração em frangalhos. Sabe aquela lágrima que qualquer ser humano que não seja um psicopata não conseguiu conter quando o E.T. foi embora? Então, isso tem nesse filme, mas só a casca, só a receita de bolo, só o plano fechado na cara do ator “emocionado” e a música melosa pra induzir o choro da audiência. Mas SEM o conteúdo da relação inteira construída entre Elliot e o E.T. E isso é o que faz aquele filme ser mágico e a separação deles doer no coração de qualquer não-psicopata. É a sua ex que você ainda ama vindo ao encontro, mas vem só a maquiagem, sem ela mesma por trás da maquiagem. O roteiro é exageradamente confuso e dá pinta de ter coisas furadas nele, mas que tem que ver de novo para ver se foi tudo bem-feitinho mesmo e você que babou ou se foi o filme que não seguiu a boa dica de Nietsche, que sabiamente dizia: “não turve as águas para elas parecerem profundas”. O principal problema do filme: este é um filme que fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, depois fala, fala, fala, e depois fala mais um pouco. Chega uma hora que dá vontade de gritar: “Cala a boca e deixa eu ver o filme!!” Qualquer filme sem o famoso “show, don’t tell”, não é cinema, é radio novela. E o Spielberg (justo ele!) esqueceu disso. Como a trama é um emaranhado exigente para quem assiste, ele achou que a boa solução é explicar tudo. E não é. Deveria ter uma normativa expedida em coautoria entre a ONU, a OMS, a OTAN e o Pacto de Varsóvia limitando que filmes que falam, falam, falam sejam escritos exclusivamente por Aaron Sorkin, que é o único que sabe fazer isso bem-feito. Como uma consequência quase natural de um roteiro-matraca, TUDO é expositivo. Vou dar um exemplo que contém um pequeno spoiler. Se não quiser ouvir, pule esse parágrafo: a personagem chega num lugar que tem uma reconstrução da sua casa na infância. Isso já é anunciado quando ela chega no lugar e vomita: “esta é minha casa da infância”. Não satisfeita, ela começa a andar pela casa, até que chega num quarto de menina. Dá dois passos pra dentro do cômodo e diz pra si em voz alta: “meu quarto”… Pô, Spielberg! Você não fez isso nem quando tava fazendo filme pra criança. Fala sério, mano, me respeita. E é isso o tempo todo. É uma metralhadora falando sem parar, tentando, com palavras, desfazer o embaralhado de um novelo de lã que um gato brincou a tarde toda. Claro, tem ideias boas. Mas estas parecem só estar aplacando uma paixão do Spielberg pelo tema “extraterreste”, com o impacto que o Caso Roswell deve ter lhe causado na infância. Tem também a cena da Alfa-Romeo com o trem, que é bárbara, eletrizante mesmo – ainda que eu fique na esperança daquilo ter sido feito em CG e que nenhuma Alfa tenha sido sacrificada. Alfas são sagradas. Não vou conseguir deixar de falar de outra coisa, esta acontecida no Brasil, que foi (e peço desculpas pelo termo técnico em francês) a cagada do título que foi dado ao filme aqui. “Dia D” se refere inalienavelmente a um evento histórico bem claro e pontual, inclusive já muito bem retratado pelo próprio Spielberg. Num primeiro momento, o título me fez pensar que talvez Steven tivesse aproveitado material de sobra do Resgate do Soldado Ryan pra montar outro filme. (e talvez tivesse sido melhor…) Nota importante: A crítica sincera que fiz aqui não pretende anular a admiração – igualmente sincera – por ver alguém com quase 80 anos e que não tem que provar mais nada para ninguém, ainda achar fôlego e tesão para fazer um filme parrudo como esse. Isso é realmente admirável e mantém, pra mim, Steven Spielberg no panteão das referências aspiracionais. Mas quanto ao Dia D, era melhor ter ficado só com o que eu tinha idealizado de memória sobre a minha ex.

Thunderbolts* (30/04/2025)

“Como está seu sentimento para esse filme?”, me perguntou meu amigo Marcel, quando eu cheguei na cabine de imprensa de Thunderbolts*, a convite da Disney. “Curioso, mas não empolgado”, eu respondi. “Sabe que eu tô empolgado pra esse?”, disse ele e eu compreendo. Caiu nesse filme meio despretensioso uma responsabilidade abusada, de fazer o público nerd se empolgar de novo com a MCU, depois de um grande vilão bagunçado que não colou, uns filmes bem bostas, outros filmes mais mornos… Era uma responsabilidade grande demais para o grupo de desajustados que o estrelariam. Anti-heróis Com exceção do Soldado Invernal, que já cumpriu sua redenção redondinha na fase de ouro da Marvel, nenhum dos personagens de Thunderbolts* é um herói de verdade. Eles são egoístas, alguns buscam a fama, outros têm métodos de ação contestáveis. Longe do bom-mocismo cafona que a gente tanto gosta. A solução foi focar principalmente em um personagem do qual todos os outros orbitam. Ousado para um filme que se propõem a apresentar um grupo de heróis, funcionou muito bem, graças ao carisma de Florence Pugh, por quem torcemos desde o começo, com suas missões não tão honráveis. Se ela brilha, os personagens ao seu redor não ficam atrás. Um time com tanta gente também ia necessitar de grandes introduções; mas como é MCU, todo mundo já apareceu em um lugar ou outro, seja séries que ninguém assistiu, ou filmes que ninguém se lembra. Não foi problema: às vezes uma ou duas frases no meio de um diálogo já são o suficiente para dizer quem é aquela pessoa e porque ela é detestável. Sim, o roteiro de Thunderbolts* é surpreendentemente bom. A Marvel quer ser A24 Não é só um roteiro redondinho, mas é uma produção… digamos… contida. É parte dos esforços da Marvel para readquirir seu glamour de outrora. Ao invés de escalar mais e mais, com ameaças globais ou universais, Thunderbolts* se confina em pequenos espaços: as excelentes cenas de ação ocorrem em salas fechadas, sem precisar derrubar prédios ou destruir cidades. A batalha final ocorre no menor espaço possível, no clímax mais contido que um filme da Marvel já tentou fazer. Diminuir o escopo traz alma para o filme. Ele até toma tempo para fazer uma metáfora óbvia, mas legal, sobre problemas mentais. Essa regressão em grandiosidade fica óbvia quando a própria campanha de marketing do filme direciona para compará-lo de forma bem óbvia com a A24, a micro-empresa cinematográfica que virou queridinha dos nerdolas do Letterboxd. É a Marvel, um estúdio gigantesco, responsável pela maior bilheteria de todos os tempos tentando ser uma diminuta distribuidora de nicho, evidenciando que seus grandes talentos também podem fazer filmes artísticos. Bom demais para ser verdade Sim, é. “Eu não tinha expectativas, mas eu adorei”, eu disse pra Marcel, enquanto subiam os créditos. “Eu tinha e adorei também”, respondeu ele. Thunderbolts* foi o primeiro filme da Marvel pós-pandemia lançado sem grandes problemas de bastidores, sem regravações constantes. Tudo parece ter dado certo. Há até uma auto-crítica no meio do filme, onde personagens admitem uns aos outros que não há mais heróis confiáveis no MCU deles. Parte da graça é que é verdade. As coreografias de luta estão muito boas, a ação é pontuada em momentos esporádicos, dando tempo para os personagens serem trabalhados. O filme tem uma comédia leve, mas muito boa. O Guardião Vermelho de David Harbour brilha demais, e a gente termina gostando até do Agente Americano, o Capitão América de John Walker. Thunderbolts* (a essa altura você já deve ter percebido que o asterisco é importante) é um respiro de alívio para os fãs de filmes de hominho fantasiado dando soquinho. Ótimo para quem estava com saudades de sair empolgado de uma sala de cinema. Deu para sair aliviado agora também. Tem cena pós crédito? Tem, claro… é filme da Marvel. Só que dessa vez, a cena é bem legal – e, talvez importante, não só para a própria história dentro do filme, mas também para o MCU como um todo. Vale a pena ficar até o final, não é só um ator musculoso de uma série adolescente da Paramount+ encontrando um gato gosmento em CGI e dizendo “Abluha, parece que agora o Universo vai virar bola de pêlo“, como a Marvel insistia em fazer nos últimos anos. Muito bom quando uma empresa aprende com seus erros.