Nicolas Vaude
☼ Born on24 janeiro 1962, in Paris, France
Biography: Nicolas Vaude was born on July 24, 1962 in Paris, France. He is an actor, known for O Pacto dos Lobos (2001), Largo Winch - O Império (2008) and Largo Winch 2 - Conspiração na Birmânia (2011).


In the role of actor

O estrangeiro (14/04/2026)

O filme O estrangeiro, inspirado no clássico homônimo de Albert Camus, pode exigir do espectador uma dose extra de paciência. A culpa é do protagonista Meursault que faz da apatia e da indiferença as molas propulsoras da sua vida. Nada parece o comover. Nem o velório da mãe. O personagem assiste a tudo apático, sem derramar lágrimas ou qualquer sinal de emoção.  Para o ator que o viveu, Benjamin Voisin, deve ter sido uma experiência interessante viver alguém que, quase até o fim da película, exigiu doses cavalares de contenção. Não que falte a trama momentos intensos. Como já dissemos, sua mãe morreu e um dos seus vizinhos tinha por hábito bater no cachorro de estimação. Mesmo olimpicamente indiferente ao mundo, ele arranjou uma namorada que tentava entender o comportamento, digamos, apático do namorado.   E ainda nem chegamos no centro da trama: o momento em que o protagonista mata um árabe que tinha arranjado confusão com o seu vizinho que, por sua vez, batia na irmã do assassinado. Mesmo nesse momento crucial, Meursault foi absolutamente frio. Indiferente. Quem gosta de true crime e acompanha histórias de serial killers, pode achar que é esse o caso. Mas não. O que move o nosso herói é uma sensação de não pertencimento à sociedade em que vive. O estrangeiro pode ser dividido em duas partes. Na primeira, mostra a vida do protagonista até o crime frio e sem sentido. No segundo momento, a trama muda para o tribunal, onde todos os envolvidos no julgamento tentam entender o comportamento de Meursault. Aqui, a história ganha ritmo e interesse. Em tempo: essa divisão é apenas esquemática, a montagem não segue uma ordem linear e cronológica. Com boas atuações e uma linda fotografia em preto e branco, O Estrangeiro, ao ter como protagonista alguém completamente indiferente, parece nos desafiar a lidar com as nossas próprias apatias cotidianas.