Hettienne Park
☼ Born on7 janeiro 1983, in Boston, Massachusetts, USA
Biography: Hettienne Park was born in Boston, MA. She studied classical flute and piano at the Longy School of Music and the New England Conservatory before acquiring BA's in both Economics and Religion at the University of Rochester. After graduation, she moved to New York City and completed the acting program at the William Esper Studio. During the program, she also spent a summer studying classical theater at the British American Drama Academy in Oxford. Ms. Park is a recipient of the 68th Theatre World Award for Outstanding Broadway as well as Off-Broadway debuts. She made her Off-Broadway debut as Sooze in The Intelligent Homosexual's Guide To Capitalism & Socialism With A Key To The Scriptures by Tony Kushner in its New York premiere at the Public Theater. Ms. Park made her Broadway debut at the  (see all) Golden Theater originating the role of Izzy in Theresa Rebeck's Seminar, directed by Sam Gold, with co-stars, Lily Rabe, Hamish Linklater, and Jerry O'Connell, starring Alan Rickman.


In the role of actor

Dia D (10/06/2026)

Pô, Spielberg… Sou seu fã incondicional desde Duel, curti até o 1941, que ninguém gostou. Por que você fez isso comigo? Fui ver o Dia D com o espírito de quem vai encontrar uma ex-namorada que ainda ama, cheio de esperanças de ter um revival, curtir de novo os bons momentos que passamos juntos. Não logrei êxito. Voltei pra casa com o coração em frangalhos. Sabe aquela lágrima que qualquer ser humano que não seja um psicopata não conseguiu conter quando o E.T. foi embora? Então, isso tem nesse filme, mas só a casca, só a receita de bolo, só o plano fechado na cara do ator “emocionado” e a música melosa pra induzir o choro da audiência. Mas SEM o conteúdo da relação inteira construída entre Elliot e o E.T. E isso é o que faz aquele filme ser mágico e a separação deles doer no coração de qualquer não-psicopata. É a sua ex que você ainda ama vindo ao encontro, mas vem só a maquiagem, sem ela mesma por trás da maquiagem. O roteiro é exageradamente confuso e dá pinta de ter coisas furadas nele, mas que tem que ver de novo para ver se foi tudo bem-feitinho mesmo e você que babou ou se foi o filme que não seguiu a boa dica de Nietsche, que sabiamente dizia: “não turve as águas para elas parecerem profundas”. O principal problema do filme: este é um filme que fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, depois fala, fala, fala, e depois fala mais um pouco. Chega uma hora que dá vontade de gritar: “Cala a boca e deixa eu ver o filme!!” Qualquer filme sem o famoso “show, don’t tell”, não é cinema, é radio novela. E o Spielberg (justo ele!) esqueceu disso. Como a trama é um emaranhado exigente para quem assiste, ele achou que a boa solução é explicar tudo. E não é. Deveria ter uma normativa expedida em coautoria entre a ONU, a OMS, a OTAN e o Pacto de Varsóvia limitando que filmes que falam, falam, falam sejam escritos exclusivamente por Aaron Sorkin, que é o único que sabe fazer isso bem-feito. Como uma consequência quase natural de um roteiro-matraca, TUDO é expositivo. Vou dar um exemplo que contém um pequeno spoiler. Se não quiser ouvir, pule esse parágrafo: a personagem chega num lugar que tem uma reconstrução da sua casa na infância. Isso já é anunciado quando ela chega no lugar e vomita: “esta é minha casa da infância”. Não satisfeita, ela começa a andar pela casa, até que chega num quarto de menina. Dá dois passos pra dentro do cômodo e diz pra si em voz alta: “meu quarto”… Pô, Spielberg! Você não fez isso nem quando tava fazendo filme pra criança. Fala sério, mano, me respeita. E é isso o tempo todo. É uma metralhadora falando sem parar, tentando, com palavras, desfazer o embaralhado de um novelo de lã que um gato brincou a tarde toda. Claro, tem ideias boas. Mas estas parecem só estar aplacando uma paixão do Spielberg pelo tema “extraterreste”, com o impacto que o Caso Roswell deve ter lhe causado na infância. Tem também a cena da Alfa-Romeo com o trem, que é bárbara, eletrizante mesmo – ainda que eu fique na esperança daquilo ter sido feito em CG e que nenhuma Alfa tenha sido sacrificada. Alfas são sagradas. Não vou conseguir deixar de falar de outra coisa, esta acontecida no Brasil, que foi (e peço desculpas pelo termo técnico em francês) a cagada do título que foi dado ao filme aqui. “Dia D” se refere inalienavelmente a um evento histórico bem claro e pontual, inclusive já muito bem retratado pelo próprio Spielberg. Num primeiro momento, o título me fez pensar que talvez Steven tivesse aproveitado material de sobra do Resgate do Soldado Ryan pra montar outro filme. (e talvez tivesse sido melhor…) Nota importante: A crítica sincera que fiz aqui não pretende anular a admiração – igualmente sincera – por ver alguém com quase 80 anos e que não tem que provar mais nada para ninguém, ainda achar fôlego e tesão para fazer um filme parrudo como esse. Isso é realmente admirável e mantém, pra mim, Steven Spielberg no panteão das referências aspiracionais. Mas quanto ao Dia D, era melhor ter ficado só com o que eu tinha idealizado de memória sobre a minha ex.

Sorry, Baby (11/12/2025)

A estréia na direção da atriz Eva Victor chega de forma badalada: Sorry, Baby (do original em inglês Sorry, Baby) é o novo lançamento da queridinha A24. O filme vem com um sucesso de crítica no exterior, incluindo uma nota 4.1 no Letterboxd. A promessa se paga. Mesmo começando com um ritmo meio arrastado, onde o incidente incitante parece demorar pra vir. É proposital: quando ele chega, muda completamente toda a pegada do filme. Um dramão toma conta, mas nem parece: a comédia ainda está lá, nem que seja para fazer a audiência rir de nervoso. E Eva Victor, que também atua como a protagonista, mostra que quer mesmo estabelecer seu nome em Hollywood, nem que seja com a ousada comparação de ser a Phoebe Waller-Bridge americana. Quando o drama começa de verdade, ela mostra a que veio: uma atuação contida, como se não quisesse falar dos problemas com ninguém. O que é um desafio quando o tema é “atuação”, já que a forma mais fácil para um ator expressar o que o personagem está sentindo é deixar o dramalhão tomar conta. Atuações contidas são desafiadoras, e dignas de prêmios, não à toa a gente queria tanto que a Fernanda Torres ganhasse o Oscar. E Sorry, Baby é sobre isso: é sobre manter para si seus sentimentos quando todo o mundo desaba ao seu redor. É levar um dia após o outro, dar um passo depois do outro, mesmo quando só se quer deitar em posição fetal e chorar. E é sobre gatos: o filme melhora demais depois que um gato aparece — aparece para salvar a protagonista, talvez. No ano de Flow, com gato na animação; e depois de Um Lugar Silencioso: Dia um, com gato no terror, Sorry Baby prova que gato também vai bem no drama.