SALADA CAPRESE frankly, my dear, I don't give a damn.

O Bosque Selvagem

Parece inevitável que toda forma de arte seja completamente absorvida por inteligência artificial nos anos vindouros.

Mas algum resquício de arte de verdade ainda permanece. Aquela arte com textura, imperfeita, que enche os olhos, onde cada frame é um universo. Temos dessa arte nos filmes do Spiderverse, por exemplo. E nas obras dos estúdios Laika.

O trabalho de animação stop-motion soa ingrato. Cada frame do filme deve ser cuidadosamente trabalhado de forma que o movimento pareça fluído. Com a quantidade de informação que O Bosque Selvagem coloca em tela simultaneamente, soa razoável que os estúdios Laika estejam trabalhando nesse filme há DEZESSEIS anos. Sim, Wildwood é um filme que mal lançou e já tem idade suficiente para dirigir um carro nos Estados Unidos ou para beber cerveja na Bélgica.

Essa metáfora faz sentido, afinal, apesar de se encher de uma temática pueril, de animais falantes, e protagonistas crianças, desde a primeira cena não dá pra dizer muito que é um filme infantil. As batalhas são sangrentas e eu tenho certeza que, em determinado momento, eu vi uma cabeça voando por ali. Não que isso seja um problema: ainda assim, com certeza é um longa que vai fazer sucesso com o público mais jovem e tem potencial para marcar toda a nova geração de atuais crianças, como “História Sem Fim“ou “A Princesa Prometida” marcou a geração de adultos com dores nas costas que reclamam dos joelhos em 2026. É um filme para ver, se encantar, assistir de novo, e de novo, e de novo — em outros tempos, seria daqueles para não sair do VHS, até que a fita começa a ficar meio esganiçada; quem viveu sabe.

Isso transforma O Bosque Selvagem em um épico para todas as idades. É um filme que merece ser visto nos cinemas e revisto em todo o serviço de streaming que for lançado. É uma história sobre guerras, luto, traumas, perda, e pais péssimos. É um filme que não tem medo de matar seus personagens e estraçalhar os sentimentos do público, ao mesmo tempo que encanta.

Cinemão.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.