Niki é um jovem e competente afinador de pianos. Ele tem em Harry Horowitz, vivido por Dustin Hoffman, o seu problemático mestre. E bota problemático nisso! Harry é um afinador de pianos praticamente surdo. E rabugento. Seu aluno, por sua vez, tem uma audição extremamente afiada, apesar de sofrer de hiperacusia, uma condição que faz com que ele tenha uma sensibilidade anormal a sons muito altos.
Até aqui, está se desenhando mais um filme sobre um mestre temperamental e o seu pupilo genial. Mas o roteiro propõe uma reviravolta que muda tudo. Saí o drama e entra um inusitado thriller policial.
O grande ponto de virada acontece quando Nikki descobre um talento inusitado: abrir cofres. Ele descobriu essa habilidade quando precisou resgatar o aparelho de surdez de Harry, e o seu mestre, claro, esqueceu a senha. Esse dom pode ser muito útil para um chaveiro ou para ladrões. É claro que ele encontra esses últimos na história…
O roteiro do longa é muito habilidoso em explorar as inseguranças do protagonista diante do uso que faz do seu dom. E, além da vertente policial, existe um interessante interesse romântico do nosso protagonista com uma de suas clientes.
O afinador, ao fim e ao cabo, é um filme sobre ouvir. Ouvir se um instrumento está ou não afinado; ouvir os sinais que está se metendo em enrascadas e, especialmente, ouvir o outro. Talvez, um dos grandes desafios dos nossos dias.