Antes de falar de Marsupilami: confusão a bordo, filme que estreia nesta quinta, 23, talvez seja interessante fazer um breve histórico do surgimento do personagem, mesmo porque, como veremos, o filme não é daqueles que exige uma resenha muito elaborada.
Para começo de conversa, Marsupilami é mais um personagem que veio das HQ’s. A criatura é fruto da imaginação do cartunista belga André Franquin, que já era conhecido pela dupla de heróis Spirou e Fantásio. Mas faltava algo nessas histórias. Claro, um pet. Um cachorrinho branco talvez lembrasse um outro personagem, até mais famoso. Era preciso um pouco de originalidade e imaginação. E Franquin deu asas à sua imaginação…
O resultado do esforço imaginativo deu às caras, digo, o focinho, em 1952, na HQ Spirou e os herdeiros. O nome veio da junção das palavras Marsupial (aqueles animais que tem uma bolsa onde guardam os filhotes, pilou-pilou (um pequeno pássaro de desenho animado que Franquin adorava) e ami, amigo em francês.
E o sucesso não poderia ter sido maior! Pudera. Além de muito carismático, o personagem tinha características muito únicas. O rabão tem mil e uma utilidades: além de se pendurar, é ótima para dar socos nos inimigos, serve de mola para saltos e etc, etc. A biologia do bicho também é única. Apesar de ser um mamífero, a espécie criada por Franquin nasce de ovos.
E este é um bom gancho pra falar do filme. Todo o começo da trama gira em torno do ovo do bicho, que é roubado do habitat natural por sequestradores inescrupulosos, para ser enviado para um zoológico, que também não tem a melhor das reputações. O dono do zoo convence um dos seus funcionários, David, a fazer esse translado em uma viagem de navio com sua família: sua ex-mulher, com quem vive às turras, e o filho pequeno.
Marsupilami: confusão a bordo é uma comédia muito agradável. É uma sessão da tarde um pouco mais apimentada. Algumas piadas são bem bobas e infantis, mas outras poderiam estar em qualquer animação mais adulta. Especialmente o momento em que o Marsupilami ingere certo comprimido azul para disfunção erétil. O que acontece com o rabo do personagem é um dos momentos mais engraçados da película. O roteiro também presta homenagem a um clássico de Spielberg em outro momento antológico.Marsupilami: confusão a bordo equilibra-se entre piadas bobas, que estariam em qualquer filme dos Trapalhões no Brasil, com momentos mais ácidos dignos das séries de comédia mais cáusticas da TV americana. De certa forma, essa é uma boa maneira de transpor o personagem de Franquin para as telonas.