Feito pipa, o representante brasileiro ao Oscar 2027, que estreia em 5 de novembro, é basicamente um filme sobre relações humanas muito delicadas. Ela acontece em três frentes. A principal e que costura toda a trama é entre Gugu e sua Vó Dilma. Os dois moram juntos e não poderiam ser mais apegados.
Gugu é um menino alegre que faz questão de não esconder seu ar efeminado. Ele dança, ele usa maquiagem e roupas femininas e, claro, precisa lidar com o entorno homofóbico, do pai e de alguns colegas da escola. Mas a gente já trata disso. Antes, é preciso atentar para a relação com a sua Vó Dilma.
No começo da trama, ela é independente. Saí pra dançar, cuida da casa e tem até um namorado. Mas a perda significativa de memória acende o sinal de alerta: o mal de Alzheimer está logo ali. A doença desencadeará uma mudança profunda na vida do neto. Primeiro, tentando entender o que está acontecendo com a parente que mais ama; depois, por força das circunstâncias, tendo que se aproximar do pai, que não aceita o filho como ele é. A relação com o pai talvez seja a mais complexa do roteiro. O personagem vivido por Lázaro Ramos não é necessariamente o estereótipo do pai truculento. Ele faz um esforço genuíno para se aproximar de Gugu. O mesmo não pode ser dito de alguns colegas de escola que apelam para o bullying.
Feito pipa transita entre essas relações de forma delicada e sensível. Não é um filme que apela para conseguir arrancar lágrimas dos espectadores. Todas as performances são muito sólidas, com destaque para Yuri Gomes, como Gugu, e Teca Pereira, como Dilma. A sintonia deles em cena é adorável. Resta saber como o Oscar receberá o indicado brasileiro.