É um fato já notório que a Pixar já perdeu a magia de outrora. A empresa foi responsável por uma gigantesca seqüência de sucessos, emplacando filmes que eram clássicos instantâneos, todos sendo adorados por crítica e público. Com isso, ela não só mudou a história da animação, como também do cinema.
Essa época de ouro do estúdio já parece um passado distante, uma vez que faz tempo que a Pixar não acerta, principalmente quando analisado em contraste com a excelente época que a animação vem vivendo. Desde que a Sony revolucionou novamente o formato com Spiderverse, a empresa parece cada vez mais perdida, insistindo em um 3D lindo, porém pouco inspirado. O sucesso vêm de continuações, como o péssimo (na minha opinião) Divertidamente 2, que se inspira tanto no sucesso do primeiro que chega a repetir exatamente a mesma fórmula, apelando para um sentimentalismo barato e incoerente (se as doenças agora são personificadas como sentimentos, porque não trazer doenças mais interessantes, como a AIDS ou a dengue?)
É nesse cenário, amargando medianos fracassos, que a Pixar lança Hoppers.
Hoppers?
Traduzido com o lamentável título Cara de um, focinho do outro, o filme chega com pouco alarde. O estúdio não esconde de ninguém que este ano ele está completamente focado na desnecessária continuação Toy Story 5, tanto que o lançamento se dá em uma época estranha — o intervalo entre o Carnaval e a Páscoa não soa como uma janela atrativa para filmes infantis.
Sim, infantil: a Pixar, que sempre se preocupou com a idéia de fazer filmes voltados para adultos, com um mínimo elemento lúdico para encantar as crianças, dessa vez foca totalmente no público infantil. Desde a história, bobinha e previsível, até o visual, de caricatos animais falantes.
Resultado
Dito tudo isso, eu devo dizer que me diverti à beça com o filme. O humor engatou legal comigo, abraçando o pastelão. Mais de uma vez eu ri gostoso. O visual, bem menos preocupado em uma fidelidade da vida real, é gostoso e honesto. A qualidade técnica sempre indiscutível, mas sem uma presunção ou uma preocupação em exibir um 3D revolucionário.
Cara de um, focinho do outro não é um clássico Pixar, evidentemente. Mas ele não se preocupa em sê-lo, e esta é a maior qualidade do filme. Despretensioso, ele é uma comédia infantil que vai agradar o público adulto na risada, não no choro.
Pode soar pouco para um filme Pixar, mas pelo que a empresa andou entregando ultimamente, talvez uma aventurinha simples bem-feitinha é a confiança que o estúdio precisa para seguir em frente.