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Assalto à brasileira

Assalto à brasileira, de José Eduardo Belmonte, pode ser resumido como o encontro feliz da realidade brasileira com os irmãos Coen. Começando pelo protagonista, Paulo (Murilo Benício), um jornalista com problemas cardíacos – detalhe importante especialmente no terço final do filme -, que é demitido logo no começo da trama. Tendo a grana da rescisão para receber, vai para o Banestado justo quando o banco foi alvo do maior assalto da história do Brasil

É com os assaltantes que o DNA dos Coen fica mais evidente. Eles poderiam morar em Fargo. Vão ao banco de táxi -logicamente exigindo do motorista que a corrida seja de graça. Ao mesmo tempo em que anunciaram o assalto, insistiam em dizer que não eram bandidos. Existe uma certa preocupação social dos meliantes e, principalmente, uma raiva contra o governo de então. Esse é um ponto em que a montagem acerta ao ajudar o espectador a se situar no que acontecia no Brasil em 1987. Em uma palavra: recessão profunda. Ao ponto dos populares simpatizarem com assaltantes de banco.

Sem a possibilidade de usar o telefone – o motivo merece ser conhecido no cinema – coube a Paulo o insólito papel de negociador com a polícia. As cenas tragicômicas se misturam com uma tensão que vai escalando a cada minuto. Embora fanfarrões, os bandidos ainda são violentos e tem muito pouco ou nada a perder. Para piorar, a polícia parece bater cabeça diante das exigências e do fato de tudo estar sendo transmitido ao vivo para todo o país. 

Saber que os fatos aconteceram mesmo torna a experiência de assistir ao filme ainda mais impressionante. Nos créditos, alguns dos sobreviventes dão os seus depoimentos e vemos imagens da época. Bem que poderia ser um teaser de um futuro documentário. Para quem se interessar, o filme é baseado em um livro de mesmo nome escrito por Domingos Pellegrini

Leitor desde sempre. Apaixonado por literatura policial, divulgação científica, quadrinhos, e quase todo o resto. Fez história e jornalismo só para ficar desempregado em duas faculdades diferentes.