Eu já usei toda oportunidade possível neste blog para falar do meu desprezo ao cinema francês. Ao amigo mais atento, o sentimento soaria evidente: “ah, mas você não gosta da França no geral”. É a mais pura verdade. Tudo culpa dos franceses, eu tentei.
Eu também não gosto de mim mesmo. Por isso me dispus a assistir Amor Apocalipse, um título bem ruim, mas que é uma tradução literal do original Amour Apocalypse. E que… não é tão ruim?
Definido como Romance/Comédia, mas de um jeito que a parte cômica não é propriamente engraçada. O incidente incitante, por exemplo, é quando o extremamente depressivo Adam, em uma situação de extrema vulnerabilidade, depressão nas alturas, Radiohead na vitrola, jogo do Vasco na TV, essas coisas; liga para uma linha de ajuda. Ele é atendido graciosamente pela Tina, que explica que, bem, aquela é sim uma linha de ajuda, mas não é uma ajuda tipo CVV, é uma linha de ajuda para os clientes da lâmpada que o Adam comprou, funciona mais para um SAC.
É uma comédia de erros, veja só. E funciona muito bem como esse tipo de comédia. Adam é deprimido, mas de um jeito engraçado. Sei lá, os franceses têm um jeito especial de ficarem deprimidos. E Tina se esforça para ajudar, de forma atrapalhada, mas carinhosa. E tem um apocalipse no meio, sei lá, coisa de francês. De alguma forma, Amor Apocalipse funciona, de um jeito quebrado e bagunçado. Mas que, de alguma forma, me entreteve.
Dirigido pela canadense Anne Émond, com uma excelente atuação de seu protagonista, o também canadense Patrick Hivon… Opa!
Ok, eu tava olhando aqui, e o filme é canadense, não é francês. Eu não sou capaz de identificar sotaques franceses, mas eu devia perceber que tinha inglês demais no meio do filme, francês não é disso. Eu devia saber que não se passava na França, perdão.
A crítica, que seria de “um filme francês que eu gostei” passou a ser apenas “um filme que eu gostei”, já que eu claramente não sou capaz de distinguir um cinema canadense de outro cinema. Coisa de Quebec, sabe?