Sou um viajante por natureza.
Não um turista. Um viajante. Não gosto apenas de conhecer novos lugares, mas gosto de conhecer novas culturas, novas pessoas, novas experiências. Por isso gosto de viajar longos períodos, de ficar meses em cada país, de aprender novos trabalhos e criar novas conexões. Isso é uma conseqüência da pobreza também: quando se viaja em longos períodos, o valor da passagem acaba sendo diluído pelo tempo que se está viajando; e a flexibilidade permite também escolher as datas com os vôos mais baratos.
Mesmo assim, viajar ainda pode ser caro. Por isso, jovens, pobres, e jovens pobres, usam ferramentas como o excelente WorldPackers — https://www.worldpackers.com/ — um website que permite você trabalhar em troca de um lugar para dormir e, algumas vezes, também por comida. Assim que eu já passei um mês morando e trabalhando na Romênia ou em El Salvador. Recomendo demais, inclusive.
É mais ou menos essa experiência que o Fernando, vivido pelo ator Manolo Solo, que só tem esse nome porque viaja solo, tem ao fazer uma viagem para se distrair depois que sua esposa o abandona e, meio acidentalmente, meio malandramente, toma o lugar de um jardineiro português chamado Manoel (nome masculino mais português possível), e vai lá pra Portugal fazer um WorldPackers.
Lá ele conhece Amalia (nome feminino mais português possível) e fica fazendo um Worldpackers de jardinagem. Amalia é interpretada por ninguém menos do que Maria de Medeiros, mais conhecida como a cocotinha merdeira que esqueceu o relógio que o pai do Bruce Willys enfiou no cu em Pulp Fiction, e que eu não tinha visto a atriz em nenhum outro lugar na minha vida. Continua linda.
No final, “A Quinta Portuguesa” é um filme fofo, e um dos últimos trabalhos do ator espanhol Manolo Solo, que morreu dia 30 de julho (agora, faz poucas semanas) em Madrid.
E fica a recomendação para todo mundo fazer um Worldpackers antes de morrer.