SALADA CAPRESE Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore.

A Morte de Robin Hood

Creio que há de ser estabelecido de antemão que um filme chato não necessariamente corresponde a um filme ruim. Há filmes que são chatíssimos e ótimos (eu até coloco a obra prima do Scorcese “Assassino da lua das flores” nesta categoria: excelente, mas não me faça assistir de novo); tal qual existem filmes divertidíssimos e péssimos (qualquer um da franquia Velozes e Furiosos, por exemplo).

Isso não é surpresa para ninguém, espero.

Dito isso, posso começar afirmando que o novo filme sobre o icônico herói das lendas históricas é chatíssimo.

Herói?

Já começa na desmistificação do arquétipo de herói d afigura histórica de Robin Hood. Não que isso seja qualquer novidade também. Acredito que a idéia de heroísmo que minha geração cogitou ter sobre Robin Hood começou a morrer com Shrek (2001)

“A Morte de Robin Hood” é sim um pouquinho mais sangrento do que Shrek. O protagonista sai matando todo mundo enfiando facas em goelas, crânios, acertando flechas no olho de crianças, queimando o pessoal vivo. É tão sangrento que, se tivesse alguns peitinhos e um incesto, daria pra dizer que foi feito pela HBO. Mas é o suficiente para afirmar: Robin Hood não é herói.

Velho chato

Não só o cara não é herói, como ele tá velho, acabado, cansado, com dor no joelho. Hugh Jackman não só atua como velho, ele parece extremamente velho. A Marvel acabou com o coitado, né? O cara entrega o cansaço no olhar. E o cansaço também está no filme: lentíssimo. Lindo, mas lentíssimo. Ótimo filme. Mas nada acontece por horas. Eu tenho certeza que não só o Hugh Jackman fica mais velho no filme, mas eu também saí da sala de cinema um pouco mais idoso.

Não deve ter tido um produtor pra recomendar um corte de cena aqui e ali, uma acelerada no ritmo. Típico da A24 em deixar o trabalho autoral brilhar. E o diretor Michael Sarnoski já tem bons trabalhos no currículo: “Um Lugar Silencioso: Dia Um” é ótimo, PIG é aclamado. Talvez a pegada mais contemplativa já seja um experimento para o vindouro filme de “Death Stranding“, que vai ser dirigido por ele.

Chato, mas ótimo. Tudo bem, não me importo. Pelo menos tem a Jodie Comer pra melhorar

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.