SALADA CAPRESE I see dead people

Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

Em certo momento, o grupo Los Hermanos ficou tão cansado de Anna Julia que parou de tocar em seus shows. É verdade que todo castigo é pouco para quem frequenta show do Los Hermanos, mas é muita descaração não gostar da própria música só porque ela ficou mais famosa do que as outras.

Em uma situação semelhante, em um show da banda Pedra Letícia (daqueles ensaios abertos que eles faziam lá no Lanterna), eles tocaram seu grande hit Como que ocê pode abandonar eu? e, para demonstrar que não tinham a menor inveja do sucesso, tocaram-na de novo, dessa vez em ritmo de jazz. E depois de novo, em ritmo de samba. E ficaram tocando de novo e de novo, no repeat, por uma meia hora.

Mike Lighting, o protagonista do romancezinho Song Sung Blue, também não gosta de cantar Sweet Caroline em seu Neil Diamond Experience, pelo mesmo motivo do Los Hermanos. Ele acha que Neil Diamond tem tanta música boa que é quase uma ofensa que todo mundo só queira ouvir seu maior sucesso. E a música não é nem dele, ele é só um intérprete, vê se pode?

Meu inconformismo pode claramente ser justificado porque eu adoro Sweet Caroline. Ela tem aquela pegada de música de bêbado que é ideal para se cantar com um copo na mão, estendido acima da cabeça, balançando de um lado para o outro, entorpecido de cerveja e alegria. Não à toa, figura, ao lado de Angel do Robbie Williams, e Das Fliegereid, como as músicas que tocam em todos os shows, em todos os galpões da Oktoberfest. Impossível não amar.

Isso não quer dizer que o Lighting, protagonista do Song Sung Blue (que no Brasil recebe o extremamente desnecessário subtítulo “Um sonho a dois“) seja um chato. Ele é meio cabeça dura, mas é um fofo, ainda mais caindo numa atuação excelente de Hugh Jackman. Kate Hudson faz seu par romântico, também mandando bem.

E o filme é um romance-drama-musical, sendo que a parte musical do filme é completamente diegética. Nada contra, até prefiro. Song Sung Blue faz pelo Neil Diamond o que A Lista de Schindler fez pelo Oscar Schindler: eleva muito o cantor. No caminho, entrega um romance meloso.

E toca Sweet Caroline sim! Chupa, Los Hermanos!

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.