Simon Baxter
☼ Born on(day unknown) (month unknown) (year unknown)
Biography: Simon Baxter is known for O Brutalista (2024), Os Estranhos: Capítulo 1 (2024) and Mafia Mamma (2023).


In the role of producer

Terror em Silent Hill: Regresso ao Inferno (23/01/2026)

Adaptar Silent Hill 2 para o cinema sempre foi uma tarefa ingrata. Considerado por muitos um dos jogos com a melhor história já produzida, o segundo título da franquia da Konami elevou o gênero survival horror a um patamar raramente visto nos videogames, explorando temas como culpa, luto, repressão sexual e trauma psicológico de maneira simbólica e profundamente humana. Seus monstros não existem apenas para assustar, mas funcionam como extensões dos conflitos internos de seus personagens. Por isso, uma adaptação cinematográfica dessa obra sempre foi muito aguardada e também cercada de expectativas quase impossíveis de serem atendidas. Em Terror em Silent Hill: Regresso ao Inferno, dirigido por Christophe Gans, o mesmo responsável pela adaptação de 2006, a proposta é revisitar essa história icônica. O filme acompanha James, um homem emocionalmente destruído após a separação de seu grande amor. Quando uma carta misteriosa o chama de volta à cidade de Silent Hill, ele se vê preso em um local consumido por um mal desconhecido. À medida que avança pela névoa e pela escuridão, James passa a encontrar figuras aterrorizantes, familiares e inéditas, enquanto começa a questionar sua própria sanidade em uma tentativa desesperada de salvar a mulher que ama. Apesar de manter pontos sensíveis da trama original e demonstrar certo respeito pelo material de origem, o longa falha em capturar a verdadeira essência de Silent Hill 2. O filme até consegue reproduzir elementos-chave da narrativa, mas nunca alcança a profundidade psicológica que tornou o jogo um marco. O resultado é uma adaptação que se limita à superfície, transformando um estudo complexo sobre dor e culpa em uma experiência rasa e pouco envolvente. Visualmente, os cenários são fiéis aos do game, o que inicialmente agrada aos fãs. No entanto, essa fidelidade estética é constantemente sabotada por uma execução técnica fraca. Os efeitos visuais usados para compor diversos ambientes são mal acabados, e muitos dos monstros criados em CGI parecem ultrapassados, com modelagens que remetem a produções de mais de uma década atrás. A maquiagem de alguns personagens também é problemática, soando amadora e artificial, lembrando mais atores de parques de diversão do que figuras realmente perturbadoras. A narrativa segue, em linhas gerais, a estrutura do jogo, mas toma decisões questionáveis que não levam a lugar algum. A inserção de uma seita claramente pensada para criar conexões com os filmes anteriores da franquia é um exemplo disso. Esse elemento não é devidamente desenvolvido, não acrescenta profundidade à história e tampouco faz diferença real no desenrolar da trama, funcionando apenas como um ruído narrativo desnecessário. As atuações também deixam a desejar. De modo geral, o elenco não consegue sustentar o peso dramático que a história exige, especialmente o protagonista. A interpretação de James falha em transmitir o sofrimento, a culpa e o conflito interno que definem o personagem no jogo. Sem essa carga emocional, o drama que deveria ser o eixo central da narrativa, perde completamente sua força, tornando a jornada do personagem apática e pouco impactante. Como filme de terror, Terror em Silent Hill: Regresso ao Inferno também não convence. O longa não consegue assustar, tampouco criar a atmosfera opressiva e perturbadora que consagrou a franquia. Falta tensão, falta sutileza e, sobretudo, falta o desconforto psicológico que sempre foi a marca registrada de Silent Hill. Em seu lugar, surgem escolhas de design de produção cafonas ou simplesmente mal executadas, que quebram a imersão em vez de aprofundá-la. No fim das contas, Terror em Silent Hill: Regresso ao Inferno até representa uma evolução em relação ao segundo filme da franquia em termos de estrutura e desenvolvimento, mas ainda assim está muito aquém do que o jogo que o inspirou merecia. Infelizmente, o longa se assemelha a uma adaptação de videogame feita no início dos anos 2000, carregando todos os defeitos característicos daquela época: roteiro confuso, atuações frágeis, decisões narrativas questionáveis e um CGI que parece ter saído diretamente de um PlayStation 2. Para os fãs de Silent Hill 2, resta apenas a frustração de ver uma das histórias mais maduras e impactantes dos videogames transformada em uma sombra pálida de seu potencial.

O Brutalista (12/02/2025)

Dá pra fazer muita coisa em três horas e meia. Dá para assistir “uma cilada para Roger Rabbit” duas vezes. Dá para correr uma maratona, se você for um corredor profissional. Dá para ver a primeira e a segunda temporadas de Homem Pássaro Advogado, clássico do Adult Swim dos anos 90. E dá para assistir “O Brutalista”. O gigantesco filme já chegou com estardalhaço na temporada de premiações, levando o Globo de Ouro de melhor drama. E não é só isso que o coloca como um dos favoritos no Oscar deste ano. Oscar bait Um filme “Oscar bait” é aqueles que são praticamente produzidos para ganhar prêmios. Ninguém tem paciência pra pagar para ficar 4 horas numa sala de cinema, mas quando você produz uma obra que tem tudo para levar o maior prêmio da indústria cinematográfica, aparece um monte de maluco (como eu) topando essa aventura. Também quer dizer que o filme tende a ser um pouco mais denso. Vai ter uns nomes de peso no elenco. No caso de “O Brutalista”, o protagonista é o já ganhador do Oscar Adrien Brody. Vai ter um roteiro mais épico. E, quem sabe, um tema mais atual. No caso, o tema deste é a imigração. Em meio à todas as polêmicas americanas, com as declarações e atos anti-imigratórios, o filme toma lados desde a primeira cena, que mostra um navio de europeus chegando em New York. E eles trabalham em tudo: de produção de móveis, na mineração de carvão, na construção. O filme não nos deixa esquecer que os Estados Unidos é um país formado pela imigração – e que maltratou demais o pessoal que chegou por lá em busca de uma vida melhor. Longo demais para ser ótimo Entre as grandes chances do filme no Oscar, destacam-se a cinematografia, o design de produção e a trilha sonora. Adrien Brody também está bem demais para não estar entre os favoritos. A direção também concorre e é ótima. Brady Cobert abusa de planos seqüência bem planejados. Por vezes, quando uma tomada parece que já exaurida, ele segura a câmera na cena por mais tempo. E, com tudo isso, é claro que ele chega bem cotado para disputar o Melhor Filme. A campanha de marketing no Brasil já foi muito bem feita: um café da manhã de menu húngaro seguido de um brunch de menu americano no intervalo. Ah, sim: o filme tem 15 minutos de intervalo, de fábrica. Bom para dar umas esticadas nas pernas e esvaziar a bexiga, porque ele é longo. Longo demais. Muito mais do que devia. Com isso, apesar de uma película aprazível, especialmente em sua direção, acaba sendo muito cansativo. É um bom filme, mas acho que eu preferia mesmo assistir “Uma cilada para Roger Rabbit” duas vezes.