Agustín Almodóvar
☼ Born on25 janeiro 1955, in Calzada de Calatrava, Ciudad Real, Castilla-La Mancha, Spain
Biography: Agustín Almodóvar was born on May 25, 1955 in Calzada de Calatrava, Ciudad Real, Castilla-La Mancha, Spain. He is a producer and actor, known for Fala com Ela (2002), Sirât (2025) and A Pele Onde Eu Vivo (2011).


In the role of producer

Sirât (20/02/2026)

Vai ter quem adore esse filme e admiro essas pessoas. Mas eu não sou uma delas. Não gosto por alguns motivos, mas o principal é pela desproporção entre tamanho do filme e tamanho da história que ele conta. Claro que a lentidão e o esparrado da história estão lá por opção artística, mas há momentos em que isso soa mais com castigo mesmo. O filme tem um visual muito impactante, ambientado nesses lugares que são inóspitos e imensos. Acho que aprendi a curtir isso no Mad Max (o primeiro). E também vivi isso anos atrás, quando fiz o Rally dos Sertões. Tinha trechos que parecia que não importava o quanto você já tinha andado, nunca passava dos 10% do percurso, sempre tinha muito pra andar. Esses lugares não são meramente opressores: eles escancaram a sua insignificância. E Sirât tira bom proveito disso, mas por tempo exagerado. A aspereza do lugar contamina o filme, no bom e no mau sentido. Podia ser só no bom. O som é uma coisa importante neste filme, mas da mesma maneira os exageros estão lá não como um recurso narrativo, mas claramente para incomodar o público. E bom, conseguem… A história principal é de um pai que, junto com seu filho, procura por sua filha mais velha. E essa premissa é boa. O protagonista tem um quest muito claro e que facilmente gera empatia. Teve um pecadilho nessa história, que é a um dado momento o pai deixar claro que a filha deve estar perdida em alguma balada, alguma rave. Não devíamos ter essa informação. Ia ser muito melhor só sabermos que o pai a procura, sem sabermos o que a fez sumir. Era só repetir nessa trama o que foi muito bem-feito em relação a uma guerra mundial, que sabemos que está em curso, mas não sabemos onde ela se dá, quem contra quem, se é nuclear ou convencional, nem mais nada. Essa nossa ignorância curiosamente aumenta a pressão. Deviam ter repetido esse expediente na questão da filha e a origem do seu sumiço. Não vou dar spoiler, mas digo que, para mim, o melhor do filme é a pior cena dele. Ficou assombrando minha cabeça por alguns dias. E não, não estou falando de minas explodindo. Se você for ver esse filme, recomendo que faça isso num dia em que esteja especialmente paciente. Leve uma garrafa d’água, porque dá sede.

O quarto ao lado (22/10/2024)

Eu tenho uma relação conflituosa com Pedro Almodóvar. Consigo respeitar muito o cineasta, mas acho que ele ultrapassou uma linha em “A pele que habito” que é difícil voltar. Não que o filme seja ruim; muito pelo contrário: é tão bom e tão maluco que conseguiu mudar completamente a minha forma de ver os futuros filmes dele. Seu novo filme, “O quarto ao lado“, por exemplo: é ótimo, mas me deixou constantemente esperando um momento maluco. A culpa é toda minha, eu sei: nada indica que o diretor ia fazer nada extravagante aqui. O filme mesmo é de suas atrizes protagonistas: Juliane Moore e Tilda Swinton carregam a obra em suas costas e conseguem até fazer comédia em um tema tão sensível. As duas assentaram seu caminho até o Oscar e deixaram difícil a vida de Fernanda Torres: a disputa promete ser acirrada. Já a história em geral, apesar de tudo, parece que se arrasta. Em certo momento, parece um react de Youtube, no qual vemos as protagonistas reagindo a filmes que elas assistem. Para mim não foi um problema: podia exibir mais e mais cenas completas do Buster Keaton que eu vou adorar.