Steve Buscemi
☼ Born on13 janeiro 1957, in Brooklyn, New York City, New York, USA
Biography: Steve Buscemi was born in Brooklyn, New York, to Dorothy (Wilson), a restaurant hostess, and John Buscemi, a sanitation worker. He is of Italian (father) and English, Dutch, and Irish (mother) descent. He became interested in acting during his last year of high school. After graduating, he moved to Manhattan to study acting with John Strasberg. He began writing and performing original theatre pieces with fellow actor/writer Mark Boone Junior. This led to his being cast in his first lead role in Parting Glances (1986). Since then, he has worked with many of the top filmmakers in Hollywood, including Quentin Tarantino, Jerry Bruckheimer, and The Coen Brothers. He is a highly respected actor.


In the role of actor

A revolução dos bichos (25/05/2026)

George Orwell é inesgotável. Ele não aparece apenas nos noticiários diários, nos rompantes dos políticos ou nas situações que a realidade insiste em copiar da sua literatura. Ele é uma fonte inesgotável para o audiovisual. Desde sempre. Em 2021, sua obra entrou em domínio público. O resultado foi uma enxurrada impressionante dos seus livros por infindáveis editoras. Não é uma reclamação, importante deixar claro. Prefiro 1984 aos cafés com Deus e etc, etc. E é claro que o cinema também iria se aproveitar dessa festa. Um dos primeiros resultados é a animação A revolução dos bichos, de Andy Serkis.  Para quem leu o livro, está tudo lá. A revolta inicial dos bichos contra os humanos. A tomada de poder. A instauração do novo regime na fazenda. A liderança do Porco que vai ficando cada vez mais autoritária. É uma versão respeitosa com o material original. O que, provavelmente, não vai frustrar os fãs de Orwell.  Então, qual a razão do “provavelmente” na frase acima? Simples. Para que o filme pudesse render os 96 minutos de projeção, foram feitos pequenos acréscimos. Para ser mais preciso, dois personagens chamados Mr Whymper, uma espécie de corretor ganancioso, mas divertido; e Frieda Pilkington, uma capitalista cruel, vividos por Steve Buscemi e Glenn Close respectivamente. O roteiro também trouxe uma certa modernidade high tech para a fazenda.  Essas adições não chegam a comprometer o espírito de A revolução dos bichos. Por duas razões. Elas estão dentro do espírito Orwelliano da trama principal e, principalmente, não comprometem o desenvolvimento do arco principal. Do ponto de vista técnico, a animação está muito bonita e os atores excelentes. Seth Rogen nasceu pra dublar o porco Napoleão. Ele, aliás, está se especializando na dublagem dos grandes suínos do entretenimento. Não custa lembrar que ele fez o Pumba no live actions de Rei Leão.  Com tantos bons comediantes no seu elenco, o roteiro poderia cuidar um pouco melhor do humor do filme. As piadas são, via de regra, insossas. Parece que a mensagem foi mais bem cuidada do que a comédia. George Orwell, provavelmente, curtiria essa escolha.

Conselhos de um serial killer aposentado (17/10/2025)

Escalar Steve Buscemi como um serial killer é uma das coisas mais óbvias que um time de casting pode fazer. Deve ser por isso que não ocorre com freqüência. A verdade é que o ator é uma boa escolha para qualquer coisa: ele tem um timing cômico contido, mas excelente, principalmente para interpretar comédia em personagens que não são propriamente engraçados. Como o serial killer de Conselhos de um serial killer aposentado. Um título de filme longo, mas uma tradução incrivelmente mais contida do original Psycho Therapy: The Shallow Tale of a Writer Who Decided to Write About a Serial Killer. Um título tão longo que é basicamente o resumo do filme. Parece que o diretor turco estava testando qual o limite de caracteres aceitáveis pela indústria de filmes. Olha esse shallow no meio do título, por exemplo. É um adjetivo descartável, que está lá só para ocupar caracteres. O elevator pitch desse filme deve ter sido mais breve do que isso. Só faltou adicionar um “But in the end, everything was okay” no título que você já teria um pitch de produção. É mais provável que o pitch de produção do filme tenha sido somente uma foto de Britt Lower. A atriz, vencedora do Emmy este ano, e eterna Helena Eagan (e eterna Helly R.) de Severance, consegue roubar as cenas que aparece, inclusive com Buscemi. Completamente magnética, tudo ao redor dela se distorce, como se ela fosse um buraco negro de atenção. Impossível olhar para outra coisa quando ela está em cena. Sobra compaixão para John Magaro, que teoricamente era o protagonista do filme, mas fica espremido entre esses dois monstros. Ele não é ruim, mas a disputa é desleal. Por sorte, o roteiro ajuda: Conselhos de um serial killer aposentado é bem divertido. Despretensioso, sem ousadias de direção, poderia ser uma bobajada chata. Mas Britt Lower e Steve Buscemi estão aí, não deixando nada ficar chato.

Poker Face (07/08/2024)

Eu sou putinha do Rian Johnson. Sou fã dele desde Ozymandias, de forma quase incontestável, a melhor hora produzida na televisão mundial. Sou daqueles que acham Last Jedi o melhor dos Star Wars, incluindo a trilogia original. Adoro Knives Out e Glass Onion, uma seqüência à altura que, dada a qualidade do primeiro filme, não é algo simples de se fazer. Entende-se, pois, porque a série Poker Face não precisou mais do que o nome do piá para me atrair. A presença da Natasha Lyonne, uma mulher tão foda que te cativa mesmo com uma voz de dois maços de Derby por dia, era uma adição especial à atratividade da série. E, como se precisasse de mais alguma coisa, ela conta com um elenco rotativo foda demais, com nomes como Adrien Brody, Joseph Gordon-Levitt, Stephanie Hsu, Ron Perlman, Cherry Jones, e o aluno mais famoso de Greendale, Luiz Guzmán. Juntar um elenco foda já virou uma característica das obra de Rian Johnson, visto o que o cara tá fazendo na franquia Knives Out. Ao contrário da série de filmes, Poker Face não coloca essa turminha toda em tela de uma vez. A série se inspira numa pegada mais “mistério da semana”, onde o mistério não é tão mistério assim, mas é algum crime que acaba sendo solucionado quase que sem querer pela protagonista Charlie Cale, uma mulher que tem uma habilidade única e bem Rian-Johnsiana: perceber quando alguém está mentindo. Os episódios são normalmente divididos em dois momentos: a primeira metade é o crime da vez e como ele se desenrola – e na maioria das vezes, o assassino já é explicitado nesse começo mesmo, transformando um mistério que seria “quem matou?” para “como vão pegar esse feladaputa?”. A segunda metade é como Charlie entra no caso e lida com ele. Os roteiros de todos os episódios são tão bem feitos e redondinhos que as duas metades se tornam igualmente divertidas e interessantes. Além disso, há um fio ligando todos esses casos que é a própria história de Charlie, excelente desde o início. A personagem principal é um deleite à parte, culpa parcial do imenso carisma de Natasha Lyonne, na melhor atuação da sua carreira: dá pra saber que a personagem percebeu uma mentira só pela expressão nos olhos da atriz. Os dez episódios trazem dez ótimas histórias, em dez cenários distintos, com dez motivações diferentes. O sucesso de crítica não é à toa. A série têm incríveis 98% no Rotten Tomatoes e uma segunda temporada já confirmada com nomes como Giancarlo Esposito e Kumail Nanjiani. Para quem tá ansioso com o vindouro Wake up dead man e não consegue conter a ansiedade, Poker Face é um ótimo paliativo, com o efeito colateral de constatar como Rian Johnson é foda mesmo e aumentar ainda mais a expectativa.