In the role of actor
A melhor mãe do mundo (22/07/2025)
O plot base do filme “A melhor mãe do mundo”, de Anna Muylaert, que será lançado no dia 7 de agosto, pode soar bastante manjado. No audiovisual e, principalmente, nos telejornais policialescos do fim da tarde. Trata-se da história de Gal (Shirley Cruz) uma mulher batalhadora, que foge com seus dois filhos das investidas de Leandro, seu companheiro alcoólatra e violento, vivido por Seu Jorge. Trivial, mas existem alguns diferenciais que tornam essa trama gasta em algo interessante. O principal deles está na relação da mãe com os seus filhos. Gal decide transformar a sua fuga desesperada em uma grande aventura lúdica para os seus rebentos. Lembra algum filme? Para esse resenhista, a inspiração evidente é o ganhador do Oscar “A vida é bela” de Roberto Begnini, de 1998, com todas as diferenças de tempo e espaço, claro. As passagens que ecoam o filme italiano dão uma delicadeza toda especial para a película. O que trouxe um frescor interessante, mérito da direção e das atuações, todas excelentes, especialmente de Shirley Cruz e das crianças. Vale destacar, também, a participação do multitalentoso Lourenço Mutarelli. A melhor mãe do mundo poderia ser uma coleção insossa de clichês. Eles até existem, mas Anna Muylaert ensina que, com alguma sensibilidade, é possível extrair algo novo de um terreno já bastante conhecido.
O Clube das Mulheres de Negócios (28/11/2024)
Há uma lenda em Hollywood (cai mais para uma meia-verdade), de que Spielberg, quando foi filmar Tubarão, odiou o robô que foi construído para aparecer nas telas como o monstro principal do filme. Sem tempo e nem dinheiro para construir algo melhor, a solução foi esconder o máximo possível o “protagonista”, criando um filme de tubarão no qual o tubarão mal aparece – e um filme cuja qualidade perdura até hoje. Faltou à Anna Muylaert, diretora de “O Clube das Mulheres de Negócios” essa astúcia para dar uma camuflada nas péssimas onças digitais que são peças importantes da história de seu novo filme – mas ainda não tão importantes quanto um tubarão em um filme chamado “Tubarão”. E esse não é nem o maior erro de sua nova obra. O filme, com uma premissa interessante e diferente, tinha tudo para ser no mínimo divertido, mas a completa insegurança da diretora, junto com o seu aterrorizante medo de que a audiência não sacasse a metáfora óbvia central, fez com que ela repetisse a solução diversas vezes no decorrer do filme, até a última cena. Nada é pior em um roteiro do que ele contar à audiência algo que ela já sabe. Deve ter sido esse medo de ser incompreendida e cancelada que fez Muylaert a cada cena bradar a plenos pulmões “Olha aqui, pessoal, isso é uma metáfora, vocês estão entendendo? Não é assim, eu tô só imaginando como seria se fosse“. Uma pena. Mas talvez não seja o primeiro filme que o medo do cancelamento de seus executores estrague. A lição que fica é: não tem problema nenhum fazer um roteiro burro, a não ser quando que você queira que ele se passe por uma obra inteligente. Quando isso acontece, a queda é grande.