In the role of actor
Tatame (02/04/2026)
O filme iraniano Tatame não é uma fábula, mas oferece pelo menos uma lição de moral para os seus espectadores. Antes de chegar lá, uma sinopse. O longa conta a história da judoca Leila que participa do Campeonato Mundial de Judô pelo Irã. Ela é uma forte candidata para a medalha de ouro. Sua treinadora Maryam já esteve no seu lugar antes, mas não foi bem sucedida. E aqui começamos a puxar o fio que nos conduzirá para a moral do primeiro parágrafo. Ter fracassado no campeonato de judô, de certa forma, conduz muito da relação entre treinadora e atleta – o motivo é um spoiler grande, para saber só assistindo ao filme que estreia dia 2 de abril. Aliás, este é um ponto alto do filme. Todas as relações humanas são muito bem construídas e fogem dos clichês. Especialmente, a de Leila com o seu marido, Nader. Seria muito fácil colocá-lo como machista que se insurge contra a profissão da esposa. Mas não. Aqui, ele apoia sua mulher e torce por ela. Mas nem tudo são flores. Afinal, não custa lembrar que nossas heroínas representam o Irã, uma teocracia extremamente autoritária. E Leila logo descobrirá que ela precisará enfrentar adversários muito mais fortes fora do tatame. Com o desenrolar do campeonato, a judoca lutará contra uma atleta de Israel. Isso, para o regime dos Aiatolás, é inadmissível. Começa uma série de pressões, inclusive contra os familiares da judoca. Pressões que não são meras ameaças. Nesses tempos que o Irã voltou ao noticiário, Tatame oferece uma perspectiva sombria do que é viver em uma teocracia.