Daniel Brühl
☼ Born on16 janeiro 1978, in Barcelona, Barcelona, Catalonia, Spain
Biography: Daniel Brühl was born in Barcelona, Spain. His father was German TV director Hanno Brühl (1937-2010), who was born in São Paulo, Brazil. His Spanish mother was a teacher. He also has a brother and a sister, Oliver and Miriam. Shortly after his birth, his family moved to Cologne, Germany, where he grew up and attended the Dreikönigsgymnasium. Brought up in a fully multilingual home, he speaks fluent German, English, Portuguese, Spanish, French and Catalan.


In the role of actor

A Contadora de Filmes (26/11/2024)

Para quem não é um maníaco por cinema, é difícil explicar a atração. Qual a diferença, afinal, de ver uma história contada em uma sala escura no alto de um shopping; ou no quarto, deitado na agradável cama de sempre? Eu não sei explicar, só sei que sou um desses malucos atingidos pelo vício em cinema. Eu já fui pobre em algumas ocasiões da minha vida adulta (por duas vezes eu fali); e a coisa mágica de ver seu dinheiro se esvaindo a nada é aprender sobre si mesmo e ter o conhecimento das mordomias que você dispensa primeiro e quais mantém. Cinema acaba sendo o penúltimo dos luxos que eu corto quando a pobreza chega. Cerveja que é o último (e só uma vez eu precisei cortar – cinema foram duas). Por conta desse contexto pessoal de minha vida que foi até fácil simpatizar com a personagem principal de “A Contadora de Filmes”, drama chileno que tem o dedo do Walter Salles, perfeito pra você que saiu de Ainda estou aqui querendo ver mais alguma coisa que o cara tenha minimamente chegado perto. O filme também traz de volta às suas origens latinas o ultra-poliglota Daniel Brühl, o Capitão Zemo da Marvel. Brühl, que eu conheci na película Adeus, Lenin, e sempre achava que era alemão, tem origens meio latinas: nasceu em Barcelona, filho de uma espanhola com um brasileiro. Se mudou para Alemanha jovem e fala alemão, espanhol, inglês, francês e português. Então ele não tem problema nenhum em gastar seu espanhol e seu charme no filme. Mesmo não passando de um personagem secundário. Porque quem domina a película é a família de pobretões que, por conta de uma dessas reviravoltas traiçoeiras da vida, perde aquele dinheiro suado que gastavam para ir ao cinema todo domingo. É um casal com quatro filhos também, o ingresso tá uma fortuna, eu até entendo. Com a ausência de um Youtube e de um Stremio, a solução encontrada foi mandar María Margarita, a filha mais nova e desinibida, nas sessões para assistir aos filmes e voltar pra casa e contar como foi. Mas não do jeito que eu faço nas críticas aqui do site, misturando umas histórias pessoais que não tem nada a ver com nada: ela era uma storyteller nata. Quer dizer. Acaba sendo conveniente para a protagonista que o filme seja ambientado no final da década de 60: ela só ia no cinema assistir filme bom. Recontar a história de “Se meu apartamento falasse”, do Billy Wilder é fácil. Queria ver María Margarita fazer um bom trabalho recontando qualquer filme dos Transformers.

The Franchise (08/11/2024)

Eu já estava vendido para a nova série da HBO “The Franchise” quando eu vi o nome de Armando Iannucci na produção. Sou fã de praticamente tudo o que o cara faz, desde séries políticas como “Veep” ou “The thick of it“, até filmes políticos como “The Death of Stalin” ou “In the loop” até a menosprezada comédia “Avenue 5“, que parece um humor boboca, mas tem forte conotação política e não é possível que o cara faça política tão bem, vou votar nele para prefeito nas próximas eleições. The Franchise é meio diferente de tudo o que ele já fez na temática, mas não na execução. Ainda é uma sátira e uma das melhores que estão disponíveis por aí. Ela alopra praticamente todo filme de herói que existe e toda a indústria que os produz. A vítima mais óbvia é a Marvel, com seu arsenal de filmes conectados e produções desastrosas comandadas por um único produtor todo-poderoso que nem aparece na série, mas cujo nome gela a espinha dos personagens quando proferido, de tão influente que ele é. Acompanhamos a produção de um daqueles filmes da série B dos heróis (Tecto, o homem-terremoto), daqueles que só os nerds mais aficcionados já tinham visto num gibi. Como parte de um Universo maior, chegou a vez dele: seu filme próprio, com ligações com um Universo compartilhado (em certo momento, eles precisam retirar uma raça de personagens inteiros do filme por conta de um genocídio que aconteceu em outra história), crossovers (com heróis mais populares, claro), atores renomados fazendo uma ponta, e mudanças na história dos quadrinhos (que supostamente deveria ser canônica). Quem acompanha desde sempre o mercado do cinema de quadrinhos vai se deliciar. Não faltam referências a acontecimentos e personagens desse universo, seja das coisas que acontecem na tela grande como os problemas de bastidores que rolaram por trás da produção. A série passeia por esse universo como se flutuasse. Até agora, a série alcançou seu ápice no episódio 3, quando um dos grandes produtores da franquia aparece no estúdio de Tecto para falar de um problema midiático que eles estavam enfrentando: a desconexão com o público feminino. “Are you familiar with ‘the woman problem’?““What’s that? The… the menopause?““Way before your time, there was a… thing in the air. Maximum Studios has a problem with their girl characters. […] Suddenly we got a woman problem all over again. It’s like a menstrual cycle, but for women. And now they’re saying we’re not real feminists.“ Os produtores, diretores, atores e roteiristas se vêem obrigados a alterar a história, que tinha como protagonistas dois homens, para dar mais poder para as personagens femininas, irritando uma parcela mais sensata da produção. “It’s based in the comics, those are the facts.““Are comics facts?“ Subitamente, não basta fortalecer a presença feminina. Eles precisam dar todo o poder possível (“The power of a thousand atom bombs“) à personagem feminina, tornando-a até mais forte do que o personagem principal. “Oh yeah, just make it up.““It’s all made up, Daniel.““Yeah, so is the Bible. Let’s give the apostle Paul superhuman strength. Where’s that leave Jesus? Suddenly he’s just some hippie at a dinner party. Meanwhile, Paul is fighting Satan with a lightsaber.““My generation would totally read that version of the Bible.“ E é assim todo episódio. Sempre chega uma solicitação de alguém acima da produção para alterar levemente alguma coisa no filme, seja para encaixar aquela história com o seu universo compartilhado, seja para agradar a China. E a gente acompanha o tornado de merda que a decisão causa, afetando a produção, e obrigando refilmagens. E, no final, quem se fode sempre é o público. Não em The Franchise. Na série, o público fiel dos quadrinhos vai sim se deliciar. Sátira de primeira, como tudo que leva o nome de Iannucci. Infelizmente a série não parece estar tendo a atenção que merece, mas torço para que o público descubra essa jóia o mais rápido possível. “Silent nodding. Like a wife at a party“