Corey Hawkins
☼ Born on22 janeiro (year unknown), in Washington, District of Columbia, USA
Biography:
Corey Hawkins was born in Washington, District of Columbia, USA. He is an actor and producer, known for Straight Outta Compton (2015), Kong: Ilha da Caveira (2017) and BlacKkKlansman: O Infiltrado (2018).
In the role of actor
Odisséia (29/07/2026)
A única forma de honrar uma obra tão importante quanto o épico do retorno de Odisseu à sua casa é através de superlativos. Nesse aspecto, Christopher Nolan é o cineasta perfeito para esse desafio. É um dos únicos que conseguiria o orçamento que a história exige — e um dos poucos que saberia usar esse dinheiro como ninguém. Alguém que compra um avião para atirar em um prédio só por diversão merece cada dólar que os estúdios descolam pra ele; e que ele costuma entregar de volta o investimento. Nolan odeia continuações, evita franquias, cria filmes difíceis que brincam com a ordem do tempo. Tudo o que os estúdios deveriam abominar, já que resulta em um produto de difícil venda para um mercado cinematográfico cada vez mais repetitivo. Dada essas condições, acaba sendo uma certa obrigação do fã de cinema de respeitar o diretor. Pode até não gostar de seus filmes, mas é obrigatório respeitá-lo. E, por isso, uma história desse porte exige um diretor desse nome. Homero pra que te quero É uma história de 700 a.C. Seria historicamente acurado que Maria tenha lido para Jesus como história de ninar, de tão velha. As primeiras críticas vinham nessa pegada, de uma falha de contexto histórico. As armaduras seriam mais romanas do que gregas, Telêmaco não poderia utilizar um reducionismo ortográfico como “dad“… Meras interpretações de uma história que sobrevive ao tempo. A única ressalva realmente válida ocorre em uma cena em que Odisseu comenta que a idade do bronze está acabando. Como assim? Como ele sabe? Uma história tão clássica e famosa que todos sabemos um pouco dela. A Guerra de Tróia, o cavalo deixado de presente pelos gregos com Aquiles dentro — nem Aquiles nem seu famoso calcanhar aparecem no filme (não que eu me lembre) —, Helena de Tróia, o herói amarrado ao mastro para ouvir o canto das sereias, o exílio na ilha de Calipso (Charlize Theron interpretando Joelma), o truque de Penélope de desmontar seu próprio trabalho, os deuses gregos. E o retorno a Ithaca, claro… Isso nos 20 anos que Odisseu ficou viajando, um pacote CVC do Mediterrâneo. Um homem que precisava urgente de um Google Maps. Filme do ano No final, não é melhor do que Devoradores de Estrelas, mas como a Sony não convida a gente para as cabines, a gente também vai desconsiderar eles nos nossos rankings. Então dá pra dizer que Odisséia é sim o filme do ano. Anne Hathaway está melhor que Sandra Hüller, e isso eu até afirmo independente do desdém da Sony. E sim, é filme para ser visto em IMAX. Com as salas lotadas, conseguir a sessão é a odisséia privada de cada cinéfilo.
Poker Face (07/08/2024)
Eu sou putinha do Rian Johnson. Sou fã dele desde Ozymandias, de forma quase incontestável, a melhor hora produzida na televisão mundial. Sou daqueles que acham Last Jedi o melhor dos Star Wars, incluindo a trilogia original. Adoro Knives Out e Glass Onion, uma seqüência à altura que, dada a qualidade do primeiro filme, não é algo simples de se fazer. Entende-se, pois, porque a série Poker Face não precisou mais do que o nome do piá para me atrair. A presença da Natasha Lyonne, uma mulher tão foda que te cativa mesmo com uma voz de dois maços de Derby por dia, era uma adição especial à atratividade da série. E, como se precisasse de mais alguma coisa, ela conta com um elenco rotativo foda demais, com nomes como Adrien Brody, Joseph Gordon-Levitt, Stephanie Hsu, Ron Perlman, Cherry Jones, e o aluno mais famoso de Greendale, Luiz Guzmán. Juntar um elenco foda já virou uma característica das obra de Rian Johnson, visto o que o cara tá fazendo na franquia Knives Out. Ao contrário da série de filmes, Poker Face não coloca essa turminha toda em tela de uma vez. A série se inspira numa pegada mais “mistério da semana”, onde o mistério não é tão mistério assim, mas é algum crime que acaba sendo solucionado quase que sem querer pela protagonista Charlie Cale, uma mulher que tem uma habilidade única e bem Rian-Johnsiana: perceber quando alguém está mentindo. Os episódios são normalmente divididos em dois momentos: a primeira metade é o crime da vez e como ele se desenrola – e na maioria das vezes, o assassino já é explicitado nesse começo mesmo, transformando um mistério que seria “quem matou?” para “como vão pegar esse feladaputa?”. A segunda metade é como Charlie entra no caso e lida com ele. Os roteiros de todos os episódios são tão bem feitos e redondinhos que as duas metades se tornam igualmente divertidas e interessantes. Além disso, há um fio ligando todos esses casos que é a própria história de Charlie, excelente desde o início. A personagem principal é um deleite à parte, culpa parcial do imenso carisma de Natasha Lyonne, na melhor atuação da sua carreira: dá pra saber que a personagem percebeu uma mentira só pela expressão nos olhos da atriz. Os dez episódios trazem dez ótimas histórias, em dez cenários distintos, com dez motivações diferentes. O sucesso de crítica não é à toa. A série têm incríveis 98% no Rotten Tomatoes e uma segunda temporada já confirmada com nomes como Giancarlo Esposito e Kumail Nanjiani. Para quem tá ansioso com o vindouro Wake up dead man e não consegue conter a ansiedade, Poker Face é um ótimo paliativo, com o efeito colateral de constatar como Rian Johnson é foda mesmo e aumentar ainda mais a expectativa.