SALADA CAPRESE frankly, my dear, I don't give a damn.

Tom & Jerry: Uma Aventura no Museu 

Não é exagero e nem saudosismo dizer que os desenhos infantis de antigamente eram bem melhores do que os de hoje em dia. Não somente porque quando éramos crianças, nós efetivamente assistíamos desenhos animados, seja na programação matutina, seja no Disney Club, seja no saudoso Cartoon Network (que deus o tenha), mas também porque os desenhos vinham acompanhados com uma dose de malícia e violência gratuita tão elaborada e bem feita, que encantava qualquer criança. Um desenho de hoje em dia jamais se prestaria a colocar o Patolino tomando um tiro tão forte no meio da fuça que ele termina com o bico virado para trás, imagina.

Dito isso, é uma satisfação ver que o novo filme do Tom & Jerry resgata o espírito do Tom & Jerry, com perseguição de gato e rato, com o Tom sendo esmagado e partido em mil pedaços, e o Jerry (o verdadeiro vilão, como você percebe depois que cresce) se safando. Quer dizer, é uma satisfação por uns três minutos, que é o tempo que isso ocorre em tela, antes de pegar nossa dupla de heróis da infância e atirar eles como coadjuvantes em outra história.

Porque o filme Tom & Jerry: Uma aventura no museu — do inglês Tom and Jerry: Forbidden Compass, e do chinês 猫和老鼠:星盘奇缘 — é uma arapuca pra te vender uma animação com história chinesa usando o IP da Hanna Barbera. O título nacional nem faz o menor sentido: eles saem do museu antes do título do filme aparecer na tela e nunca mais pra lá voltam.

É um desperdício de um bom Tom & Jerry, principalmente vendo o potencial que ele teria. Potencial que ultrapassa a história e vai para a animação: a decisão de usar um 3D digno de um jogo de Playstation 2 fica ainda pior quando o filme se propõem a colocar umas cenas em um render de animação 2D chapada, que ficariam maravilhosas se fossem aplicadas ao filme todo. Assim como ficaria se a interação entre gato e rato existisse. Se tirassem o Tom & Jerry do filme, faria pouca diferença.

Isso é decepcionante. Como um filme de animação chinês, ele é até mediano. Como um filme do Tom & Jerry, ele é totalmente péssimo.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.