Pelo trailer, eu tinha a idéia que O Mago do Kremlin seria um O Aprendiz, tendo o excelente Jude Law como Vladmir Putin e o ótimo, porém inconstante, Paul Dano como o criador da figura de poder, espelhando os papéis de Sebastian Stan como Donald Trump e Jeremy Strong como o criador da figura de poder Roy Cohn.
Numa época que Trump e Putin são (ao lado, talvez, de Alexandre de Moraes) as figuras mais odiosas do mundo, faz sentido que obras artísticas explorem a criação de figuras tão vilãnescas. Porém, se O Aprendiz triunfa pela ousadia e repulsa, O Mago do Kremlin só consegue ser covarde, escondendo uma ótima interpretação de Jude Law ao criar um Putin secundário, que nem aparece na primeira hora de filme.
Por conta disso, o resultado foi de uma decepção extrema. Não que o filme seja péssimo, ele não comete grandes erros, não se distancia tanto de seu núcleo principal, e mesmo as voltas aparentemente desnecessárias de seu primeiro ato são parcialmente concluídas no ato final.
Mas, para um filme que traz os bastidores de um personagem tão importante no contexto político atual, ele é extremamente covarde.