SALADA CAPRESE Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore.

O Beijo da Mulher Aranha

Depois do fracasso de Madame Teia (suposto fracasso, o filme parece ter virado cult entre gênios e idiotas simultaneamente), a nova aparição de um híbrido de fêmea humana e um aracnídeo nas telonas não vem do aguardadíssimo Beyond the Spider Verse (que só vai estrear em 2027, por deus), mas sim do musical O Beijo da Mulher Aranha.

Uma história passada na ditadura argentina, com Diego Luna brilhante como sempre e um desconhecido Tonatiuh roubando cenas. Na parte musical, Jennifer Lopez, de quem eu não sou particularmente fã, mas que realmente manda bem.

O musical tem um formato peculiar. Para quem não gosta de musicais por conta de que ninguém na vida real sai cantando no meio da rua, este filme é quase uma resposta: a parte musical vem como uma fábula, sendo compartilhada por presos políticos. É um personagem contando sobre um filme para outro, e tal como eu faço para assistir as últimas porcarias da Netflix, esses personagens também dividem o filme em partes e vão assistindo só um pouquinho por dia.

Alternando a escura cela com as cores vibrantes de um musical clássico, tudo parece se encaixar. O Beijo da Mulher Aranha vem redimir a categoria de “musical latino” que aquela porcaria de Emilia Perez afundou durante uma temporada de premiações inacreditável. Sério, cada indicação de Emilia Perez era uma ofensa maior do que barricadas da ICE na entrada de shows do Bad Bunny.

Para quem está com saudades de um musical justo, ou não quer esperar até o retorno de Tom Holland vestindo um spandex azul e vermelho, o filme não desaponta.

Só ficou faltando um “Mulher Aranha vai voltar em Avengers Doomsday” aparecendo no final dos créditos.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.