O dia 21 de março de 1999 foi um dos mais trágicos da história do cinema. A 71ª cerimônia do Oscar foi uma das maiores pataquadas que já existiu. Não só teve aquela palhaçada do Roberto Benigni se comportando como velho bolsonarista ao ganhar seu Oscar, mas também teve o absurdo da academia em ter que escolher premiar Cate Blanchett, Meryl Streep, Fernanda Montenegro, ou Emily Watson, e ainda assim, dar o prêmio para a chatíssima Gwyneth Paltrow. Imperdoável.
Mais imperdoável ainda seria a premiação principal: Eleger Shakespeare Apaixonado como melhor filme, em um ano onde O Resgate do Soldado Ryan era um dos concorrentes foi uma atitude tão vil e injusta que ninguém ousou trazer novamente William Shakespeare de volta às telonas por mais de duas décadas.
Agora a diretora chinesa ganhadora do Oscar por Nomadland, Chloe Zhao, se arriscou a colocar o escritor inglês de volta nas salas de cinema.
Com Anne Hathaway
Tão relevante na história quanto Shakespeare está Anne Hathaway. A esposa do escritor, identificada no filme como Agnes, está maravilhosamente interpretada por Jessie Buckley, num papel que vai lhe render, no mínimo, uma indicação ao Oscar. Talvez faltou capricho (ou presença de espírito) para escalar a própria Anne Hathaway para o papel, mas Jessie manda tão bem que fica impossível imaginar uma atuação melhor.
No papel de Shakespeare, um dos atores queridinhos da vez: Paul Mescal. O ator irlandês segue abocanhando papéis, e, desta vez, está claramente escolhendo os filmes que podem lhe render um Oscar. Duvido que seja desta vez: concorrer com Leonardo DiCaprio em Uma Batalha Após a Outra é quase covardia. Mas Shakespeare já provou que pode render Oscars, mesmo quando não se merece.
Não que o ator faça um mau trabalho. Mas Jessie Buckley está tão fenomenal no filme que acaba roubando toda cena e praticamente tomando para Agnes boa parte do protagonismo da história.
A vida de Shakespeare ainda é envolta em mistério. Hamnet acerta em não querer abraçar o mundo, responder tudo, explicar cada detalhe. Desde a vida pacata em Stratford-Upon-Avon até o sucesso do Shakespeare Globe, em Londres. O filme conta grande parte de forma sutil às vezes usando o próprio texto do autor como base para sua história. Está lá, mas para ser encontrado. O nome de Shakespeare mesmo, só é dito no começo do terceiro ato: quem sabe, sabe; e a audiência sabe, não é burra. Ou talvez seja, mas aí não é culpa do filme.