SALADA CAPRESE I see dead people

Marty Supreme

Durante a cabine de imprensa de Song Sung Blue, que aconteceu um dia depois da cabine de imprensa de Marty Supreme, uma jornalista estava reclamando a um amigo sobre o esperado filme que trouxe o globo de ouro a Timothée Chalamet. Estiquei o ouvido para conferir se a opinião que eu tinha do filme era a mesma dela, afinal, eu não tinha conseguido parar de pensar em Marty Supreme nas últimas 24 horas.

Não era: ela estava incomodada que nenhuma personagem feminina do filme é boa (no sentido de uma pessoa boa). E ela tem razão. Mas também não tem nenhum personagem masculino bom. Ninguém é sequer minimamente aceitável, todo mundo não presta. O que para ela era um grande defeito, para mim é uma grande virtude do filme: eu odeio todo mundo.

Ninguém aqui presta

Desde os trailers até todo o material de divulgação deixaram parecer que Marty Supreme seria um filme de esportes. Um Challengers heterossexual. Um Creed menos másculo. Um Dodgeball sem o Chuck Norris. E, talvez, a primeira meia hora do filme até sustente essa crença. Mas não dura muito: o filme logo entra numa espiral de cagadas épica.

Chega a ser cômico, claro, propositalmente. Em certo momento eu me sentia o Jessie Pinkman gritando “He can’t keep getting away with it“. O filme não pára nunca, e isso é ótimo. Marty Supreme é daqueles filmes que já nasceram cult: vale ser reassistido e vai entrar nos favoritos do Letterboxd de muita gente.

Os irmãos Safdie

Isso também vêm de uma série de ótimas escolhas na direção/produção de Josh Safdie. Os irmãos Safdie são praticamente os irmãos Coen do novo século, uma vez que Benny Safdie já tinha mandado bem ano passado com Smashing Machine.

Marty Supreme é um baita filme. Chalamet, de quem eu não sou particularmente fã, mas já tinha me feito repensar sua qualidade depois de Duna 2, merece seu Globo de Ouro e sua vindoura indicação ao Oscar.

E, principalmente, a jornalista que estava reclamando do filme por só ter gente mau-caráter, está errada: assim é o mundo. Ninguém presta. Pelo menos, em Marty Supreme, ninguém presta com uma BAITA trilha sonora.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.