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Se eu tivesse pernas, eu te chutaria

O caos e as tragédias parecem atrair a protagonista de “Se eu tivesse pernas, eu te chutaria” escrito e dirigido por Mary Bronstein. Primeiro, o teto do quarto de Linda simplesmente desmorona. Sem nenhuma explicação. A partir de então, ela precisa lidar com uma reforma interminável em sua casa – o que, por si só, já é o plot para um filme de terror para ninguém botar defeito. 

O roteiro também não explica qual é a misteriosa doença da filha, que obriga a criança a se alimentar com sonda. A menina, por boa parte da projeção, sequer aparece. A gente só ouve a sua voz. O mesmo acontece com o marido de Linda. E fora de casa nossa heroína também tem as suas desventuras. Como psicóloga, ela parece atrair os pacientes mais  malucos do pedaço. E ainda tem a sua relação, complicadíssima, com o seu próprio terapeuta, vivido de forma muito competente por Conan O’brien em um papel dramático. 

“Se eu tivesse pernas…” se vende como uma comédia dramática, mas, pelo menos na nossa experiência, ele não foi tão bem sucedido assim. A sucessão de dramas vai anestesiando o espectador, especialmente o modo como o filme foi rodado, quase todo do ponto de vista da protagonista. As poucas piadas não se sustentam. É muita pretensão para pouca diversão. Um ponto positivo inegável é a performance do elenco. Todos estão muito bem em seus papéis. Com uma mão mais delicada na direção, talvez o filme fosse mais agradável de assistir. 

Leitor desde sempre. Apaixonado por literatura policial, divulgação científica, quadrinhos, e quase todo o resto. Fez história e jornalismo só para ficar desempregado em duas faculdades diferentes.