SALADA CAPRESE garçom, este gazpacho me foi servido frio

Tesouro

Há uma infinidade de campos de concentração espalhados pela Europa. Se alguém não sabe, são áreas que os nazistas usavam, durante o período da Segunda Guerra, para manter presos qualquer tipo de inimigos, inclusive raças que eles julgavam inferiores. Os prisioneiros sofriam maus-tratos e, com o decorrer da guerra, alguns desses lugares viraram “campos de extermínio”, onde os presos eram levados com o único intuito de serem assassinados.

Na Alemanha, qualquer visitação a campos de concentração é gratuita: os locais são mantidos pelo governo e considerados locais de devoção aos falecidos e museus para que as próximas gerações não cometam os mesmos erros do passado.

Ruth (Lena Dunham), uma jornalista que acompanha seu pai (Stephen Fry, interpretando o pai dela, não o seu) em uma viagem para a Polônia abomina esse tipo de turismo. Ela briga com todo mundo que se refere a Auschwitz como um “museu”. Na cabeça dela, esse turismo histórico, de ir nos lugares para aprender sobre a história de lá e saber mais sobre o que aconteceu, é um desrespeito a quem viveu esse fato.

Ela, porém, não poderia fazer nada para impedir a performance de Adolek Kohn, um prisioneiro de Auschwitz que, em 2010, aos 89 anos, levou sua filha e três netos ao campo de concentração onde foi mantido em condições sub-humanas, e dançou I will survive com sua família. Eles não pararam em Auschwitz e o vídeo se estende a diversos outros lugares construídos para garantir que a genética de Adolek tivesse a existência extinguida.

O vídeo de Adolek é um ode à resistência e à sua própria sobrevivência. Mas a protagonista de Tesouro, Ruth, também tem sua dose de razão: O memorial do Holocausto, em Berlim, sempre teve que ser vigiado para não deixar os jovens sentarem em suas convidativas pilastras e ficarem bebendo, principalmente por ele se localizar em um ponto central da cidade. Hoje em dia, a polícia está mais preocupada com as suásticas que aparecem pichadas no monumento, decorrência do anti-semitismo crescente que vem assolando o mundo e prova de que não aprendemos nada.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.