SALADA CAPRESE we're gonna need a bigger tomato basket.

Klara e o Sol

A gente sempre lembra do diretor Taika Waititi por algumas coisas: pelo nome original e inusitado, pelo Oscar vencido com o incrível Jojo Rabbit, por aquela vez que ele pegou a Rita Ora e a Tessa Thompson no bar, por “What we do in the shadows“, e (no meu caso), por ter escrito a primeira versão do roteiro de Moana (sabia? sabia? toma essa!).

Mas a verdade é que o diretor nunca foi um cara de grandes projetos. O neozelandês é um cara de projetos pequenos, filmes good-vibe, aqueles Sessão da Tarde de um dia chuvoso quando a gente tá jogado no sofá com o notebook no colo fingindo que trabalha, de personagens fofos e protagonistas que falam com o sol.

O último exemplo, no caso de seu novo filme, é literal: a protagonista de Klara e o Sol fala com o Sol. Mais do que isso: ela ora (não confundir com Ora, que é o sobrenome da esposa do diretor) para o Sol.

O fato dela ser um robô não engrandece o roteiro tanto assim. É fácil lembrar de I.A., filme do Spielberg/Kubrick (que eu amo, mas entendo que é meio divisor de águas), mas sem a profundidade filosófica e sem robôs que transam (exceto por uma cena, mas é coisa que passa rápido, fica mais como easter-egg).

A fama e o Oscar não tiraram do diretor esse amor por filmes leves e gostosinhos, mas aumentaram o orçamento e trouxeram nomes mais famosos para seus elencos. Só nesse, além da protagonista Jenna Ortega, tem a Natasha Lyonne, Amy Adams, e até o Steve Buscemi.

E é assim Klara e o Sol. Um filme pequeno, mas com coração. Não vai ser memorável, e nem um grande sucesso, mas vai ser o filme favorito de uma pessoa ou outra, que vai assisti-lo em algum momento de sua vida em que o indivíduo precisa de um filme assim. No fundo, cinema é isso mesmo, tá certo o kiwi Taika.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.