SALADA CAPRESE frankly, my dear, I don't give a damn.

Digger

Digger é daqueles filmes que, quanto menos você sabe antes de assistir, melhor. Talvez, este não seja um jeito promissor de começar uma resenha, mas prefiro sempre a honestidade. Alejandro G. Iñarritu fez um filme que dispensaria até mesmo o trailer para preservar a melhor experiência. Assim, sugiro que você abandone estas linhas por agora e volte depois de ver a película. Estaremos te esperando por aqui. 

Resolveu continuar? Ok, é por sua conta e risco.

Talvez, você queira saber pelo menos a sinopse. Então vamos a ela: Digger Rockwell é um magnata do petróleo excêntrivo que, por negligência, acaba provocando uma tragédia ambiental de proporções apocalípticas. Começa uma operação para tentar salvar a humanidade em que está envolvido até o presidente dos Estados Unidos. Em tempo: o fato dessa tragédia acontecer na GROELÂNDIA traz ainda mais ironia (e atualidade) para a trama.

 Aqui, o título do filme em inglês ganha, digamos assim, camadas. Digger significa escavador, afinal o nosso protagonista começou sua jornada para a fortuna abrindo buracos em busca de petróleo. Mas Digger vai muito além disso. É um filme que aborda em seu roteiro muitos temas: aquecimento global, empresários gananciosos, mídia, fake news, política… é como se fossem camadas da crosta terrestre. Tá tudo lá, mas tem um tema que unifica e dá sentido ao todo: a questão das narrativas. Quem diz a verdade? Em quem devemos acreditar? É possível controlar a narrativa e os fatos? 

 Dizendo assim, podemos passar a impressão que o filme seja hermético ou tedioso. Nada mais falso. O filme captura a atenção no primeiro minuto e você nem sente as duas horas de projeção passar. São muitos os méritos, com destaque para a performance magnética de Tom Cruise como o protagonista. A montagem e os efeitos especiais também estão ótimos. 

Mas o ponto principal é o roteiro. A cada virada, surge uma nova camada, uma nova descoberta. Só no fim do filme – literalmente na última cena -, com todas as camadas escancaradas, é que podemos enxergar o todo. Um feito e tanto. Resta saber como o público e a Academia vai reagir à escavação proposta por Iñarritu. 

Leitor desde sempre. Apaixonado por literatura policial, divulgação científica, quadrinhos, e quase todo o resto. Fez história e jornalismo só para ficar desempregado em duas faculdades diferentes.