O material de marketing de Amigas sem filtro (uma péssima tradução de Spa Weekend) anuncia com orgulho que o filme é obra dos diretores do fraquinho Bad Moms e dos roteiristas de Se beber não case. Mas parece um filme escrito por um time de marketing trabalhando em uma permuta cinematográfica e dirigido por aquelas pessoas que produzem aqueles filmes turísticos que são exibidos no avião, sabe?
Não à toa que os roteiristas Jon Lucas e Scott Moore têm tantas das suas obras citadas no livro didático de Blake Snyder, Save the Cat. Os pontos estruturais da história são tão bem demarcados que parece uma aulinha básica de roteiro. O que devia ser algo positivo, sinal de um trabalho cuidadosamente trabalhado, se transforma em um filme extremamente previsível. Com 15 minutos de filme, antes mesmo do catalisador, a gente já sabe o final.
Quando isso acontece, o filme tem que depender de alguma outra coisa. E tem pouca coisa que segura: a comédia é fraca. Isla Fisher se salva, com um timing cômico excelente. Leslie Mann (a esposa de Judd Apatow) segue linda como sempre, e eu particularmente gosto dela como atriz. As outras garotas não decepcionam, mas não se destacam.
No final, o filme não consegue nem ser ruim. É um feel-good para garotas.
O que dá para dizer com certeza é: eu não sou o público.