Uma das jogadas mais mesquinhas e idiotas da Disney foi o lançamento de dois streamings simultâneos: O Disney+ e o Star+. Com o argumento completamente imbecil que um seria voltado ao público infantil, e outro ao público adulto, respectivamente, a jogada era uma óbvia maneira de tentar ganhar dinheiro fazendo o público pagar um streaming pelo preço de dois.
Não deu certo, claro. O público se mostrou bem menos otário do que a Disney julgava e o conteúdo de ambos streamings foi unificado em 2024.
Porém, a marca Star teima em continuar viva, como conseqüência de uma tentativa burra de torná-la símbolo de conteúdo adulto da Disney. O problema é que já havia uma marca cumprindo esse papel desde 1953: a Buena Vista Pictures. Logo, as obras que a Buena Vista lançaria passariam a vir com o selo Star.
É uma burrice sair renomeando coisas já estabelecidas. O Twitter sabe disso, já que ele tem o nome novo dele que ninguém usa. A HBO tentou virar Max, voltou pra HBO, porque HBO é marca forte, é uma imbecilidade mudar agora.
Agora, com o tão esperado fim da Star+, a Star também vai acabar e, veja só que coisa, voltar a ser Buena Vista. Isso no cinema, porque no streaming os lançamentos da Disney virão com o selo Hulu, marca que a Disney comprou em 2023.
Essa confusão toda, gerada por empresários mesquinhos e departamentos burros, me veio à tona quando o logo da Star apareceu no começo do filme brasileiro Rio de Sangue. Natural: o selo estava sendo usado em diversas produções na America Latina e ainda vai levar um tempo para morrer completamente. Tem toda uma burocracia de contratos e nomes de produções em desenvolvimento que ainda vão ser lançadas sob o guarda-chuva da Star.
Ação Nacional
Ter a Disney por trás beneficiou a obra com um maior budget. Pelo menos o diretor, Gustavo Bonafé, elogiou o investimento adquirido, que permitiu a ele fazer um filme brasileiro de ação.
Isso na teoria. Não achei que Rio de Sangue entre na categoria Ação. É um dramalhão constantemente raso, com personagens tolos, e um vilão viciado em armadilhas dignas de filmes do James Bond: todas as vezes que ele consegue capturar as nossas heroínas (e são muitas), ele prefere criar uma engenhoca assassina complexa, ao invés de meter uma bala no meio da testa delas. Ou proferir um discurso longo. Ou os dois. É claro que a gente sabe que isso vai dar a oportunidade de nossas heroínas escaparem de novo.
Um vilão burro diminui também o heroísmo dos mocinhos, e o filme se prejudica demais com esses personagens capengas.
Uma pena. Tinha uma premissa promissora.