SALADA CAPRESE frankly, my dear, I don't give a damn.

Vingadora

A presença da atriz Milla Jovovich quase ilude. O início meloso, de mãe ausente, até promete. Mas o thriller Vingadora não consegue enganar ninguém por muito tempo: o filme é bem fraco.

Talvez o que o torne ainda mais fraco seja essa promessa inicial, de que ele poderia ser bom. A história de uma mãe desmantelando uma rede de tráfico sexual de menores tem ali uma promessa não cumprida. Não faltaram só algumas revisões de roteiro, faltou também um pouco de ousadia para não meter o Jeffrey Epstein como vilão e atualizar o filme todo para uma coisa mais 2025. Só a idéia de uma mãe enfrentando um presidente da república pedófilo e os maiores bilionários do mundo atrás da sua filha já seria um excelente argumento para vender um filme.

Mas não. Vingadora escolheu ir por um caminho mais bobo, e produziu um Procurando Nemo sem moral da história. Se na animação da Pixar, o pai super-protetor aprende da impossibilidade de manter suas crias debaixo de suas asas (ou melhor, nadadeiras) por muito tempo, Vingadora joga praticamente uma anti-moral, na qual a mãe superprotetora tinha razão o tempo todo. Nada é aprendido.

Quer dizer, o filme até tenta meter um plot twist lá pro final, mas é tudo muito fraco. Muito bobo.

Não seguiu nem o caminho de Marlin, pai do Nemo; e nem do Epstein, vilão do mundo. Ficou no meio termo. Pior lugar para se estar.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.