Lá em 2020, quando o time de marketing brasileiro decidiu traduzir o título do filme “Greenland” para “Destruição Final”, eles não esperavam que estavam cometendo erros que se refletiriam seis anos depois, com o lançamento de “Greenland 2: Migration“, que foi traduzido como “Destruição Final 2“.
Oras, se a primeira destruição não foi tão final assim, como você quer me convencer que dessa vez é final de verdade? Sem contar o erro de timing: um filme chamado “Groenlândia: Migração” nos dias de hoje traria pelo menos alguém ao cinema que ia achar que estaria assistindo a um documentário sobre o governo Trump.
Tal como o governo Trump, a gente não precisa saber o que aconteceu no primeiro mandato do filme, seis anos atrás, para poder apreciar a catástrofe que assola o mundo atualmente. A película (não o mandato) resume tudo em cinco minutos, te colocando debaixo de um bunker com os personagens, só pra depois te tirar de lá de novo e deportar, como se fosse um agente da ICE.
A família protagonista é estelarmente interpretada por Gerard Butler, a brasileira Morena Baccarin, e o garoto Roman Griffin Davies (o Jojo Rabbit, só fui me tocar depois do filme). E qualquer um que já tenha assistido um filme-desastre antes sabe exatamente o que vai acontecer.
O filme não se preocupa em reinventar a roda, não tenta ser inteligentão, não tenta entregar qualquer coisa diferente do que alguém que quer deixar o cérebro em casa por duas horinhas precisa. Talvez esse seja o maior mérito dele: ele reconhecer sua própria existência e não tentar ser mais do que ela.
Um filme bobo, mas em tempos em que Groenlândia e Migração estão nos deixando tão apavorados, talvez seja exatamente o que a gente quer.